Salto de Sete Quedas
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Salto de Sete Quedas Saltos del Guairá | |
---|---|
Altura | 114 metros |
Rio | Rio Paraná |
Local | |
Coordenadas | 24° 04′ S 54° 17′ W |
País(es) | Brasil Paraguai |
O Salto de Sete Quedas também chamado Salto Guaíra (em espanhol: Saltos del Guairá) foi a maior cachoeira do mundo em volume de água, até o seu desaparecimento com a formação do lago da Usina hidrelétrica de Itaipu. No entanto resquícios delas aparecem quando o nível de água da usina está baixo[1][2].
Índice[esconder] |
[editar]Descrição
Apesar do nome, eram constituídas por 19 cachoeiras principais, sendo agrupadas
em sete grupos de quedas. Recordistas mundiais em volume d'água, as Sete
Quedas eram o principal atrativo turístico de Guaíra, cidade que, à época, chegou
a ter 60 mil habitantes, rivalizando em importância com as cataratas de
Foz do Iguaçu. À época, Guaíra era um dos destinos brasileiros mais visitados
por estrangeiros. Atualmente, a população da antiga cidade real espanhola é inferior
a 30 mil habitantes.
em sete grupos de quedas. Recordistas mundiais em volume d'água, as Sete
Quedas eram o principal atrativo turístico de Guaíra, cidade que, à época, chegou
a ter 60 mil habitantes, rivalizando em importância com as cataratas de
Foz do Iguaçu. À época, Guaíra era um dos destinos brasileiros mais visitados
por estrangeiros. Atualmente, a população da antiga cidade real espanhola é inferior
a 30 mil habitantes.
[editar]Alagamento
Quando da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, ocorreu uma super visitação
ao parque nacional das sete quedas. Milhares de pessoas, de todas as partes do
Brasil e do mundo, iam a Guaíra para presenciar os últimos dias das Sete Quedas.
Devido à superlotação, em 17 de Janeiro de 1982 ocorreu a queda da ponte Presidente
Roosevelt, que dava acesso ao salto 19, tendo como consequência a morte de 32
pessoas. No entanto, 6 pessoas sobreviveram, salvas por pescadores de Guaíra.
A investigação apontou para uma dupla causa: primeiro, a falta de cuidado com
a manutenção das pontes sob a presunção de que em breve as Sete Quedas seriam
inundadas; e depois, o aumento descontrolado da visitação, pois todos queriam
ver os saltos antes de seu desaparecimento para a formação do lago de Itaipu.
ao parque nacional das sete quedas. Milhares de pessoas, de todas as partes do
Brasil e do mundo, iam a Guaíra para presenciar os últimos dias das Sete Quedas.
Devido à superlotação, em 17 de Janeiro de 1982 ocorreu a queda da ponte Presidente
Roosevelt, que dava acesso ao salto 19, tendo como consequência a morte de 32
pessoas. No entanto, 6 pessoas sobreviveram, salvas por pescadores de Guaíra.
A investigação apontou para uma dupla causa: primeiro, a falta de cuidado com
a manutenção das pontes sob a presunção de que em breve as Sete Quedas seriam
inundadas; e depois, o aumento descontrolado da visitação, pois todos queriam
ver os saltos antes de seu desaparecimento para a formação do lago de Itaipu.
Às vésperas da inundação, uma grande manifestação ocorreu no parque nacional
das Sete Quedas. Centenas de pessoas se reuniram e realizaram o ritual indígena
Quarup, em memória das Sete Quedas.
das Sete Quedas. Centenas de pessoas se reuniram e realizaram o ritual indígena
Quarup, em memória das Sete Quedas.
Em 13 de outubro de 1982, o fechamento das comportas do Canal de Desvio de
Itaipu começou a sepultar, com as águas barrentas do lago artificial, um dos maiores
espetáculos da face da Terra: as Sete Quedas do Rio Paraná ou "Saltos del Guaíra".
Itaipu começou a sepultar, com as águas barrentas do lago artificial, um dos maiores
espetáculos da face da Terra: as Sete Quedas do Rio Paraná ou "Saltos del Guaíra".
Durante a inundação, os moradores de Guaíra iam até a beira do rio para se despedirem
das Sete Quedas. Foi uma época muito triste, segundo pessoas que viveram esta
tragédia de perto.
das Sete Quedas. Foi uma época muito triste, segundo pessoas que viveram esta
tragédia de perto.
A inundação das Sete Quedas durou apenas 14 dias, pois ocorreu em uma época
de cheia do rio Paraná, e todas as usinas hidrelétricas acima de Itaipu abriram suas
comportas, contribuindo com o rápido enchimento do lago.
de cheia do rio Paraná, e todas as usinas hidrelétricas acima de Itaipu abriram suas
comportas, contribuindo com o rápido enchimento do lago.
Portanto, em 27 de outubro de 1982 o lago estava formado e as quedas, submersas.
Nos dias seguintes ao alagamento, apenas as copas das árvores ficavam acima do
nível do rio, uma cena um tanto deprimente, pois pareciam "mãos pedindo socorro".
Nos dias seguintes ao alagamento, apenas as copas das árvores ficavam acima do
nível do rio, uma cena um tanto deprimente, pois pareciam "mãos pedindo socorro".
De acordo com levantamentos altimétricos a primeira ponte - a do Saltinho - ficava
a 204 metros acima do nível do mar, o que significa que o lago formado pela represa
de Itaipú, ao atingir sua cota que é de 220 metros acima do nível do mar, deixou esta
ponte sob 16 metros abaixo da lâmina de água.
a 204 metros acima do nível do mar, o que significa que o lago formado pela represa
de Itaipú, ao atingir sua cota que é de 220 metros acima do nível do mar, deixou esta
ponte sob 16 metros abaixo da lâmina de água.
Posteriormente, a parte do afloramento rochoso foi dinamitado para melhorar as
condições de segurança da navegação.
condições de segurança da navegação.
Em 1982, às vésperas dos 80 anos, o poeta Carlos Drummond de Andrade expressou
sua inconformidade com a destruição do Salto de Sete Quedas, um patrimônio
natural do Brasil e da humanidade.
sua inconformidade com a destruição do Salto de Sete Quedas, um patrimônio
natural do Brasil e da humanidade.
Na edição de 9 de setembro, quando afinal se anunciava o fechamento das comportas
para a criação do lago da hidrelétrica de Itaipu, Drummond publicou este poema no
Jornal do Brasil. Em letras grandes, os versos ocuparam uma página inteira, a capa
do Caderno B:
para a criação do lago da hidrelétrica de Itaipu, Drummond publicou este poema no
Jornal do Brasil. Em letras grandes, os versos ocuparam uma página inteira, a capa
do Caderno B:
Sete quedas por mim passaram,e todas sete se esvaíram. Cessa o estrondo das cachoeiras, e com elea memória dos índios, pulverizada, já não desperta o mínimo arrepio. Aos mortos espanhóis, aos mortos bandeirantes,aos apagados fogosde Ciudad Real de Guaira vão juntar-seos sete fantasmas das águas assassinadaspor mão do homem, dono do planeta. Aqui outrora retumbaram vozesda natureza imaginosa, fértilem teatrais encenações de sonhos aos homens ofertadas sem contrato. Uma beleza-em-si, fantástico desenhocorporizado em cachões e bulcões de aéreo contornomostrava-se, despia-se, doava-seem livre coito à humana vista extasiada. Toda a arquitetura, toda a engenhariade remotos egípcios e assíriosem vão ousaria criar tal monumento. E desfaz-sepor ingrata intervenção de tecnocratas.Aqui sete visões, sete esculturasde líquido perfildissolvem-se entre cálculos computadorizadosde um país que vai deixando de ser humanopara tornar-se empresa gélida, mais nada. Faz-se do movimento uma represa,da agitação faz-se um silêncioempresarial, de hidrelétrico projeto. Vamos oferecer todo o confortoque luz e força tarifadas geramà custa de outro bem que não tem preçonem resgate, empobrecendo a vidana feroz ilusão de enriquecê-la. Sete boiadas de água, sete touros brancos,de bilhões de touros brancos integrados, afundam-se em lagoa, e no vazioque forma alguma ocupará, que restasenão da natureza a dor sem gesto,a calada censurae a maldição que o tempo irá trazendo? Vinde povos estranhos, vinde irmãosbrasileiros de todos os semblantes,vinde ver e guardarnão mais a obra de arte naturalhoje cartão-postal a cores, melancólico, mas seu espectro ainda rorejante de irisadas pérolas de espuma e raiva, passando, circunvoando,entre pontes pênseis destruídase o inútil pranto das coisas,sem acordar nenhum remorso,nenhuma culpa ardente e confessada. (“Assumimos a responsabilidade!Estamos construindo o Brasil grande!”) E patati patati patatá... Sete quedas por nós passaram,e não soubemos, ah, não soubemos amá-las,e todas sete foram mortas,e todas sete somem no ar,sete fantasmas, sete crimesdos vivos golpeando a vidaque nunca mais renascerá. | Carlos Drummond de Andrade |
[editar]Cronologia
- 1979 - Em 29 de Outubro o Governo Federal outorgou à Eletrosul, conforme decreto nº 84.126, a concessão
- para exploração do aproveitamento hidráulica em trecho do Rio Paraná, situado entre a foz do rio
- Paranapanema, nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo, e o Salto de Guaíra.
- 1982 - Em 14 de Outubro ocorre o fechamento das comportas de Itaipu.
- 1982 - Em 27 de Outubro as Sete Quedas de Guaíra já não existiam.